sábado, 30 de janeiro de 2010

Belmiro de Azevedo em discurso directo. "Cavaco é um ditador"











Belmiro de Azevedo vai directo ao assunto, sem tentar ser politicamente correcto. Depois de deixar as funções executivas no grupo Sonae, em entrevista à revista "Visão" hoje publicada, ataca Cavaco Silva, Manuel Alegre e José Sócrates, mas também os empresários portugueses. Sempre num tom calmo, descontraído e por vezes com algum humor.


Belmiro diz que "a essência da democracia é a alternância de poder, porque senão é uma ditadura a dois, um compadrio, não é interessante para a democracia que isso aconteça". Isto para depois atacar "a generalidade dos políticos activos dos vários partidos", em que "a maior parte das pessoas são jotinhas, funcionários e pessoas sem experiência".


Quanto ao governo, é claro: "Este governo tem uma pessoa que manda. Ele próprio assumiu. Não com esse radicalismo, mas disse que tinha ministros - uma coisa politicamente incorrecta - que faziam trabalho técnico de preparação. É o maior insulto que se pode fazer à figura de um ministro", considera o empresário. Sobre as pressões exercidas por José Sócrates, afirma que "o primeiro-ministro telefona ou manda telefonar com muita frequência". Um dos projectos do executivo, o TGV, também não fica de fora: "O TGV está desenhado em função dos interesses espanhóis", diz.


Depois do ataque ao governo, segue-se a oposição, a começar por Francisco Louçã, líder do Bloco de Esquerda, cuja votação subiu nas últimas eleições. "Há pessoas inteligentes que usam a comunicação mais retrógrada que já vi em Portugal. Ele [Francisco Louçã] usa a comunicação mais primária que já vi. Mas os outros também." Incluindo Manuela Ferreira Leite. Sobre a presidente do PSD, Belmiro diz que "teve muitos anos de trabalho, mas no Estado. Nunca dormiu mal por ter a responsabilidade de saber como pagar salários".


As críticas ao Presidente da República, Cavaco Silva, e ao anunciado candidato à Presidência, Manuel Alegre, ficam para o fim. Belmiro de Azevedo conta que andou no liceu com Manuel Alegre, o que justifica a sua posição sobre a recandidatura: "Manuel Alegre devia ter juízo. No final do mandato já terá 80 anos; não é muito sensato". Quanto a Cavaco Silva, a crítica sobe de tom: "Cavaco é um ditador. Mandou quatro amigos meus, dos melhores ministros, para a rua, assim de mão directa", lembra.


Depois dos políticos, Belmiro de Azevedo aponta baterias aos empresários, começando pelas associações patronais, sobre as quais diz que "não há nenhum empresário sério que se reveja" nelas. "Os empresários têm muita força, mas quem a tem mesmo são os trabalhadores.


"Numa época em que se fala do congelamento de salários dos trabalhadores da função pública, vai mais longe. Admite que os salários nacionais "são baixos", mas explica que "é o pessoal do meio que ganha de mais. Têm de ser aumentados o último piso e o rés-do-chão". Quanto à situação económica do país, entende que "quando um país deixa de investir, automaticamente está a comprar um futuro que não é brilhante. Se perdermos competitividade, ficamos aqui uma aldeia dedicada ao vinho e aos kiwis".


Na entrevista à "Visão", o empresário revela ainda algumas estratégias da Sonae: "Só vai para onde for querida. Em Angola sou estrangeiro e vamos para lá quando as leis e costumes daquela terra forem suficientemente próximos dos nossos valores e em consideramos que podemos trabalhar". Belmiro evita, no entanto, comentar a situação no país depois da aprovação da nova constituição. "Agora há classificações diversas. Democracias perfeitas acho que não há".


1 comentário:

Maria RHenriques disse...

Desde que os portugueses não queiram enriquecer tanto bate num como noutro ;)

Portugal não se pode "armar em rico", diz Belmiro. -Pois claro que não, tirando ele mais ninguém pode
--Agora andam-me todos nisto.

http://apombalivre.blogspot.com/2010/03/portugal-nao-se-pode-armar-em-rico-diz.html