terça-feira, 11 de novembro de 2014

Ex-candidato do PND no Funchal diz que insinuações sobre alegado tráfico penalizaram resultados



O candidato do PND à Câmara do Funchal em 2009, Gil Canha, disse hoje, no julgamento do processo que moveu contra Alberto João Jardim, que as insinuações que o envolviam em tráfico de droga na Venezuela penalizaram os resultados eleitorais.
O Tribunal do Funchal começou hoje a julgar o presidente do Governo Regional da Madeira, João Jardim, num processo cível em que Gil Canha, ex-vereador da Câmara do Funchal, pede uma indemnização de 16 mil euros por factos ocorridos nas eleições autárquicas de 11 outubro de 2009 e que considera terem "denegrido a sua honorabilidade".
Os réus, Alberto João Jardim e Marco Lopes Freitas (um dos jovens que empunharam cartazes contra Gil Canha), não compareceram à audiência, tendo o tribunal ouvido o autor do processo e três testemunhas. Também foi visionada uma notícia divulgada então pela SIC sobre a inauguração de um troço de estrada junto do Madeira Tecnopolo, marcada por cenas de violência entre dirigentes e ativistas do PND e elementos de uma empresa de segurança privada que lhes haviam vedado o acesso à zona da inauguração.
"Abram os cartazes que estou mandando, sou eu que estou mandando, senhor guarda, não chateie ninguém", ordenou o presidente do Governo Regional a um grupo de jovens alegadamente da JSD/Madeira, na cena visionada pelo tribunal.
Durante a inauguração, alguns jovens de entre o grupo de populares, intitulando-se como "cidadãos da Madeira livre", exibiram cartazes, com a autorização de Alberto João Jardim, com frases contra dirigentes do PND.
"Canha (candidato à Câmara do Funchal) foge para o Brasil, a Justiça venezuelana te procura", "Canha, Baltasar e Welsh, os três artistas do circo fascista", "Fábrica do Hinton explorou o povo", "Abaixo os herdeiros do Hinton, do Baltasar e padre Lopes", "Abaixo os fascistas da Madeira velha" eram algumas das frases inscritas nos cartazes.
A juíza deu início ao julgamento depois de não se ter conseguido chegar a acordo prévio. O advogado de defesa do presidente do Governo Regional, Valério Gonçalves, referiu que um pedido de desculpas por parte do seu assistente "estava fora de questão".
Gil Canha disse em tribunal que as insinuações que o envolviam no tráfico de droga na Venezuela penalizaram também a sua vida "pessoal e familiar", sobretudo a presença dos filhos na escola.
O autor do processo contou ter ido mesmo ao Consulado da República Bolivariana da Venezuela pedir informações sobre se tinha problemas com a justiça naquele país, tendo sabido que nenhuma acusação pendia sobre si.
A defesa dos réus procurou provar que as notícias então veiculadas diziam mais respeito às agressões ocorridas na inauguração e não estavam tão relacionadas com o ferir da honorabilidade de Gil Canha. Além disso, sublinhou que os acontecimentos se enquadravam num período de campanha eleitoral e que o PND também utilizava uma linguagem de afrontamento nas suas iniciativas.
Rubina Sequeira, advogada de Gil Canha, assim como as três testemunhas ouvidas, declararam que o motivo dos cartazes era "pessoal e não político" e que a sua exibição tinha como mandante o presidente do Governo Regional.
O julgamento decorreu na Instância Local do Funchal e tem nova audiência - para ouvir Baltasar Aguiar e João Pedro de Freitas e para alegações finais) a 09 de dezembro, pelas 09:00.
Fonte: DN Madeira

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