O Ministério das Finanças está a
equacionar a possibilidade de reduzir em 30% o subsídio de mobilidade que apoia
as viagens aéreas entre a Madeira e o Continente.
O corte
dos actuais 30 para 21 euros no reembolso relativo a cada percurso foi proposto
pela Inspecção-Geral de Finanças num estudo elaborado a pedido da Secretaria de
Estado do Tesouro. O relatório fundamenta o corte na existência de uma redução
no valor médio das tarifas na classe económica, no período de 2009 a 2012, de
cerca de 32%. Se o Governo aceitar a sugestão, acrescenta o relatório, vai
poupar 1,7 milhões de euros face ao valor pago em 2012.
A IGF
sustenta o decréscimo nas tarifas com a análise das tarifas praticadas pela TAP
de 2009 a 2012, na rota Funchal-Lisboa-Funchal e assegura que houve uma
diminuição da tarifa média de cerca de 82 euros para cerca de 57 euros. Refere
também uma redução do número de passageiros de quase 23%.
Face a uma
eventual revisão do subsídio, a IGF admite que o subsídio seja atribuído como
“percentagem da tarifa praticada pelas transportadoras”, podendo corresponder á
totalidade do valor pago, até ao limite de 21 euros. “Neste caso a percentagem
a ser aplicada poderá ser 100% do valor da tarifa (...) não condicionando assim
o tarifário das transportadoras e contribuindo desta forma para maior
liberalização do mercado”, refere o relatório.
Contra a
proposta da IGF foi lançada, na sexta-feira, por um grupo de universitários
madeirenses uma petição pública (http://peticaopublica.com/pview.aspx?pi=PT72870)
que nos nos três primeiros dias recolheu cerca de 1.200 assinaturas. No
documento endereçado à presidente da Assembleia da República os signatários
insurgem-se contra a proposta da IGF, considerando “inadmissível” a redução do
subsídio de mobilidade.
“As
famílias residentes na Madeira e Porto Santo estão neste momento sujeitas à
carga fiscal mais alta do país”, frisam os peticionários, acrescentando que
“esta região insular ultraperiférica possui os mais elevados níveis de
desemprego de todo o território nacional” e que “têm sido sujeitas a quebras
acentuadas no seu rendimento”.
Pelo
contrário, defendem que “é fundamental reforçar este apoio para garantir a
continuidade com o restante território do país e, em particular, resolver o
problema dos preços exorbitantes que atingem as viagens de última hora”. Esta
situação, frisam, “afecta principalmente os estudantes madeirenses que
frequentam o ensino superior no território continental e os residentes que
carecem de tratamentos de saúde fora da Região”.
Com a liberalização
do transporte aéreo entre a Madeira e o continente português em 2008, regulada
pelo Decreto-Lei 66/2008, foi atribuído um subsídio de mobilidade aos
cidadãos residentes na Região, bem como aos estudantes, de 30 euros por
trajecto desde que a tarifa, excluídas as taxas, seja superior esse valor. Esta
medida representou para o Estado uma poupança significativa relativamente
indemnização compensatória antes atribuída à TAP, no cumprimento dos princípios
da solidariedade e da continuidade territorial consagrados na Constituição da
República.
Apesar de
várias propostas de lei aprovadas por unanimidade no parlamento madeirense, uma
delas a aguardar há seis anos a discussão e votação na Assembleia da República,
a lei de 2008 nunca foi revista. Em Fevereiro de 2012, a assembleia
regional aprovou uma resolução no sentido de solicitar ao Governo da
República o aumento do subsídio para 78 euros. Para justificar essa
actualização invocou que os actuais 60 euros (ida e volta) tinha até então como
base uma tarifa média para o passageiro residente de 180 euros (ida e volta)
mas que, actualmente esse valor médio é de 210 euros (ida e volta) e de 263
euros quando a reserva é de última hora.
Aliás, o
estudo da IGF, contestado pelos seis deputados madeirenses em São Bento,
eleitos pelo PSD, CDS e PS, teve como objectivo averiguar o impacto orçamental
de uma dessas propostas que visa salvaguardar doentes e estudantes nas suas
deslocações de forma a que nunca paguem mais de 200 euros, mesmo nos chamados
picos de tráfego (Natal, Páscoa e Verão), quando as tarifas atingem valores
muitas vezes proibitivos.
O
relatório arrasa a proposta, dá conta de algumas omissões e deficiências no
texto, e considera mesmo que, “atendendo à situação económica-financeira que o
país atravessa em que os recursos financeiros são escassos e que devem ser bem
utilizados, sugere-se mesmo a redução do valor do actual subsídio”, até porque
se levantam dúvidas “nas disposições legais, designadamente nas normas
comunitárias aplicáveis”.

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