A temperatura vai alta no PSD/Madeira. O eterno Jardim venceu as eleições internas do passado dia 2, mas não esperava a sova monumental imposta pelo ex-delfim atrevido.
Miguel Albuquerque não lhe desferiu, como disse o próprio Alberto João Jardim durante a campanha eleitoral, uma "facada nas costas", mas cravou-lhe, sim, um arpão bem no centro do dorso.
Afinal a "Madeira velha" tem o importante epicentro no interior PSD regional, liderado com mão de ferro por Jardim há quatro décadas. Há, pelo menos 1644 militantes que não abraçam a obra feérica do grande líder, não lhe abençoam a postura, nem lhe agradecem as 46 vitórias eleitorais do currículo. Ingratos!
Numa noite de emoções mas não de grande surpresa para o observador atento, ficámos com a imagem dos expoentes máximos do apoio indefetível ao ainda líder, protagonizados por uma militante que veste de laranja da cabeça aos pés e pelo inenarrável ex-líder da JSD, posto a correr pelos próprios correligionários. A "Madeira nova" do presidente do governo é esse duo maravilha, que tudo fez para aparecer no retrato na noite da vitória mais penosa do seu "rei". E os outros, claro, os que se sentam há séculos nas cadeiras do poder sufocante desta administração.
Jardim já tinha perdido todo o capital de influência no seu partido nacional e no governo da República.
Sobrava-lhe o último reduto: o seu querido PSD/Madeira, que já não lhe é fiel nem leal em toda a linha, que lhe retira o tapete num momento em que ele precisa de reganhar a energia e pujança de outros tempos.
Mesmo com a máquina partidária na mão, com um jornal gratuito e com a rede de propaganda que constitui a administração pública regional, ele não chegou à quase unanimidade a que se habituara. Afinal o timoneiro da "Madeira nova" vale só mais 80 votos que o atrevido e "escanzelado" presidente da Câmara do Funchal.
É a vida e o caminho faz-se caminhando. Miguel Albuquerque é o senhor que se segue, para o bem e para o mal.
Tem agora tempo para gizar um plano aglutinador, bem educado, de diálogo com os outros partidos, que refunda o partido e que chame a sociedade civil, especialmente os que têm andado arredados da política regional: os jovens.
Jardim está a pagar as consequências da sua estratégia, alicerçada numa teia de interesses e de jogos da pequena política. Primeiro foi o partido. Depois será o povo.
Faz-me lembrar aquele miúdo que não gosta de perder de maneira nenhuma. A bola entra-lhe pela baliza adentro vezes sem fim, mas o miúdo alega sempre falta, fora de jogo e até ilusões de ótica.
Sentando confortavelmente no meu sofá, a 1000 quilómetros de distância do Funchal, foi assim que vi o eterno rei na noite do passado dia 2 de novembro.
O homem ainda não percebeu que muitos, muitos mais que ele calcula, já não se revêm em si.
Se não sair pelos seus pés vai ser empurrado.
P.S.: Uma vez mais a Madeira foi fustigada pelo mau tempo. Nas redes sociais as imagens catastróficas correram céleres, causando terror. Que fizeram as autoridades regionais? Publicaram fotos do presidente e dos secretários regionais no terreno. Muito má e pouco eficaz a política de comunicação do governo no Facebook e afins. Ainda não perceberam a potencialidade destas ferramentas para minimizar danos, designadamente, no meio turístico.
Por: Roberto Ferreira
Fonte: DN Madeira

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