
O Marítimo, num comunicado assinado pelo seu presidente, publicado no site (que apresentamos na íntegra abaixo), rejeita as críticas do GR a Carlos Pereira, a quem acusou de falta de gratidão. Carlos Pereira mantém de resto os números apresentados em torno do investimento no Estádio do Nacional, que é uma dívida do IDRAM que está a travar as obras nos Barreiros e garante que o instituto deve mais do que apenas dois meses de subsídios ao Marítimo.
Eis o comunicado na íntegra:
"O Presidente da Direcção do Club Sport Marítimo e do Conselho de Administração da Marítimo da Madeira, Futebol SAD, visado nessa condição por um “Esclarecimento da Secretaria Regional da Educação e Cultura” em representação do Governo Regional da Madeira, vem pelo presente comunicado transmitir o seguinte:
1. Desde logo, é estranha a concepção da democracia que o aludido “Esclarecimento” encerra já que considera propriedade exclusiva do Governo o direito de opinar e castra esse mesmo direito ao representante de sócios e accionistas do Marítimo;
2. Esse é um direito inalienável e que será sempre utilizado quando estiverem em causa os legítimos interesses do Marítimo e/ou quando se insinue caluniosamente, numa tentativa de lançar a confusão e desviar atenções, participação ou envolvimento em “interesses ilegítimos, sejam mobiliários ou imobiliários”;
3. Tal insinuação, não dirá, certamente, respeito à obra do Estádio do Barreiros, cujo projecto foi aprovado e está ser fiscalizado pelos serviços do Governo Regional, postura correcta que se espera seja uma decorrência de experiências anteriores com empreendimentos de igual natureza;
4. No entanto, nesta matéria, para que não subsistam quaisquer dúvidas quanto à idoneidade de pessoas ou instituições, é de toda relevância que a Secretaria Regional da Educação e Cultura, nessa qualidade ou em representação, esclareça devidamente que “interesses ilegítimos” estão em causa;
5. É inexacto que o Presidente do CS Marítimo e da Marítimo da Madeira, Futebol SAD tenha emitido qualquer opinião, favorável ou desfavorável, sobre qualquer obra pública ou escolha de qualquer membro do Governo Regional, tendo apenas vincado que, enquanto cidadão, lhe assistia o direito de o fazer, caso assim o entendesse, facto que parece resultar óbvio;
6. Lamenta-se que uma resposta legítima do signatário, fundada em factos e documentos, dada após uma interpelação do jornalista do programa “Prolongamento” da RTP Madeira, suscitada por mais uma apreciação pública pouco abonatória (também ela legítima), dê lugar a acusações de “falta de solidariedade”, de “carácter” e de “gratidão”;
7. Estas adjectivações e insinuações são bem reveladoras da consideração que merece quem, há muitos anos, de livre vontade, conscientemente mas com sacrifícios pessoais, herdando uma pesada herança para a qual não contribuiu, serve graciosamente uma instituição de interesse público desportivo e social;
8. Aliás, é como contrapartida da prossecução desse interesse que se justificam as verbas recebidas pelo Marítimo e outros clubes, não se compreendendo, face ao cumprimento da sua missão, que “dever de gratidão” terá o Marítimo ou o seu Presidente violado;
9. Quanto a verbas efectivamente recebidas ou tratamento dado a uns e a outros, não há qualquer obsessão, apenas a constatação de factos devidamente documentados, oportunamente comunicados, que, além de outros aspectos, parecem querer tratar de modo igual o que é diferente;
10. Neste âmbito, releve-se a aparente sintonia entre o “Esclarecimento” e as declarações do Presidente do Clube Desportivo Nacional que, no entanto, não são coincidentes, nem com comunicados anteriores daquele clube nem, tão pouco, com as resoluções do Governo;
11. O Marítimo, através do seu Presidente, sem apatia, indiferença ou displicência, tem estabelecido conversações permanentes no sentido de desbloquear a questão do financiamento da obra do Estádio dos Barreiros, sendo, aliás, o único interlocutor com as diversas entidades do sector financeiro, pelo que quaisquer factos relacionados com estas negociações não são passíveis de serem desmentidos por quem delas não tem feito parte;
12. Infelizmente, destas negociações, por imposição do sistema Bancário, não resultou desfecho positivo devido a incumprimentos do Instituto do Desporto da Região Autónoma da Madeira para com o sistema financeiro e não para com o Marítimo, como erradamente refere o “Esclarecimento”;
13. As dívidas para com o Marítimo, SAD e Clube, que são do conhecimento do Governo Regional (e que assumem montantes elevados, em muito superiores aos dois meses a que faz referência o “Esclarecimento” da SREC), nunca foram utilizadas como fundamento para a não obtenção de financiamento para a obra do Estádio dos Barreiros;
14. Reiterando o que foi dito em entrevista à RTP-Madeira, o Presidente do Marítimo compreende as dificuldades económicas e financeiras por que a Região atravessa e aceita, convive e conforma-se que isso possa corresponder a atrasos nos projectos em curso;
15. Finalmente, sem que isso corresponda a qualquer especial “dever de gratidão” ou de subserviência, o Presidente do Marítimo, não obstante divergências pontuais, orgulha-se de estar ao serviço de uma arrojada, mas inequivocamente correcta, política desportiva do Governo Regional da Madeira que tem contribuído, decisivamente, para formar Homens e muitos campeões;
16. Acresce que o Presidente do Marítimo, quando deixar de ostentar essa condição, da qual não depende nem está “agarrado”, olhará para trás de consciência tranquila e com o grato sentimento de dever cumprido.
Funchal, 16.03.2011
O Presidente
José Carlos Rodrigues Pereira"
Fonte: DN Madeira
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