
Senhor Presidente da República,
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Paris,
Senhor Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República,
Distintos Convidados,
Cidadãos,
A melhor forma de comemorarmos, a República e o seu Centenário é renovarmos, aqui, hoje, a nossa confiança em Portugal e a nossa confiança nas capacidades dos portugueses.
A implantação da República constituiu um desses momentos de afirmação patriótica do país, de abertura à modernidade, de renovação da esperança e de encontro com o futuro.
Essa afirmação patriótica fez-se contra a ideia de uma decadência irreversível e inelutável; a abertura à modernidade impôs-se contra a condenação fatalista a um atraso inultrapassável; a renovação da esperança realizou-se contra o derrotismo pessimista e paralisante; o encontro com o futuro operou-se contra o passadismo atávico, resignado e entorpecedor.
A República foi feita em nome de uma ideia nova, ousada, generosa e prospectiva para Portugal. Foi feita com coragem, acção, risco, audácia e perseverança. Foi feita por cidadãos honrados, conscientes e responsáveis, que queriam o melhor para a sua Pátria e o melhor para o seu Povo.
Essa é a lição mais actual, útil e fecunda que a República nos traz. Essa lição representa também um exemplo moral que tem de estar vivo e presente. Neste dia de celebração republicana, devemos, por isso, reafirmar a nossa vontade de servir Portugal e os portugueses, renovando os valores essenciais da República, aprofundados pela democracia nascida no 25 de Abril e consagrados na nossa Constituição.
A comemoração de um grande acontecimento histórico dá-nos a perspectiva do tempo. A nossa história de Estado-Nação, com nove séculos de existência e com uma projecção ímpar no mundo, ensina-nos que, nos momentos cruciais, perante os obstáculos, as ameaças, os perigos e os desafios, soubemos sempre encontrar um caminho e uma saída. A verdade é esta: a vontade foi sempre o melhor aliado da nossa história como Nação.
A implantação da República constituiu uma mudança fundamental na nossa História e, qualquer que seja o balanço que se faça desse tempo histórico, das suas circunstâncias e vicissitudes, representou evolução, progresso e avanço. Estas comemorações estão a ser uma oportunidade ímpar para repor a verdade histórica sobre a República, os seus ideais e os seus erros. Mas também sobre as suas conquistas e o seu legado.
No seu pioneirismo e generosidade, os republicanos portugueses inspiraram-se sempre nos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Nesses valores humanistas está presente o melhor da herança filosófica, cultural e política dos europeus.
Os princípios fundadores da República exaltam o respeito pela dignidade humana, a garantia «dos direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem», os valores da cidadania, o primado da lei e do interesse geral, os imperativos da solidariedade e da justiça, a crença no progresso e na aptidão humana de transformar o mundo para melhor. Esses princípios constituem, afinal, os fundamentos éticos, políticos e jurídicos sobre os quais se construiu a civilização dos direitos humanos e estão no centro da Carta das Nações Unidas.
Historicamente, a República representou um avanço na grande tradição da liberdade. Representou a abertura aos valores mais progressistas: a ideia de que a soberania legítima reside no povo e só ele a pode exercer, delegando-a nos seus representantes; a afirmação da liberdade política e da igualdade de direitos, de condições e de oportunidades; a laicidade do Estado e a liberdade religiosa; a tolerância e o respeito pelas diferenças; a cidadania como pilar central da organização política e social.
Esse é o imenso legado da República, constituindo um código de valores éticos e de princípios políticos irrenunciáveis. Nesse legado nos reconhecemos e dele nos consideramos herdeiros. Tal legado exige de nós, mulheres e homens do século XXI, uma atenção aos novos desafios, uma antecipação às novas realidades e uma resposta às novas perguntas. Porque uma herança só se defende se a soubermos actualizar, tornando-a dinâmica e mobilizadora para os dias de hoje.
Um dos temas da República sempre foi, e continua a ser, a educação. Educação na base da cidadania, da realização individual, do progresso económico. Aqui, a República deixou uma marca: no ensino primário e nos 4 anos de escolaridade obrigatória e gratuita para todos; no ensino profissional; na criação do ensino infantil facultativo; na criação da Universidade de Lisboa e da Universidade do Porto.
Hoje mesmo, no centenário da República inauguramos 100 novas escolas públicas e um centro dedicado à investigação e à ciência. Esta é, sem dúvida, a melhor homenagem que podemos prestar à República: a escola como símbolo de cidadania, de responsabilidade individual, de progresso e de liberdade. A escola como símbolo que honra o passado e que nos projecta para o futuro.
Senhor Presidente da República,
Senhoras e Senhores,
Portugal não nasceu, há cem anos, com a República. Mas a Revolução de 1910 constituiu um acontecimento capital da nossa História moderna. Foi com a implantação da República que começou o século XX português. E essa implantação determinou a nossa história política destes cem anos.
Foi na I República que houve, nos domínios político, económico, social e cultural, transformações decisivas e cheias de consequências. Foi contra a República que sofremos uma ditadura de cinquenta anos, arcaica, tradicionalista, confessional, anti-democrática, anti-moderna, anti-progressista e anti-igualitária. A verdade é que, durante a ditadura, comemorar a República era já escolher o campo da oposição. Foi na tradição renovadora e progressista da República que a nossa democracia se fundou em 25 de Abril, procurando depois desenvolver e levar mais longe os seus acertos e realizações, tentando evitar os seus erros e vulnerabilidades.
Caros Compatriotas,
Comemoramos os cem anos da República num tempo cheio de incertezas e de desafios. Uma crise mundial, que está ainda longe de ser inteiramente superada, pôs em causa a estabilidade, a segurança e a confiança das pessoas. Mas é nestes momentos cruciais que os povos afirmam as suas qualidades de trabalho, de resistência, de vontade e de coragem. É nestas horas que os políticos provam o seu sentido de responsabilidade e as suas convicções, a sua determinação e a sua lucidez, que os deve levar a compreender o que está em causa, sabendo que, nesta emergência, o que está em causa é o essencial do nosso modelo de sociedade.
Para Portugal, o tempo também é duro e exigente. Temos que o enfrentar com um grande sentido de coesão nacional e de solidariedade, com uma noção de responsabilidade e de exigência, mas também com confiança nas nossas capacidades e talentos.
Nestas alturas, é fácil recorrer-se ao negativismo exacerbado, ao protesto inconsequente, à reivindicação irrealista, à agitação irresponsável e demagógica. Isso é sempre o mais fácil. O mais difícil é conseguir fazer o que há a fazer, preservando o fundamental: a República e os seus valores, a Democracia e o seu bom funcionamento, o Estado e as suas responsabilidades, a Sociedade e os seus equilíbrios, o País e a sua coesão.
Celebramos hoje a República, festejando Portugal. Este patriotismo republicano incita-nos à convergência de vontades e ao trabalho persistente, únicos garantes de esperança.
Nestes dias em que nos é pedido um esforço maior, precisamos de estimar mais as virtudes cívicas e de praticar melhor os valores republicanos. As virtudes da cidadania, da coragem, da honradez, da dedicação. Esses valores são a defesa do bem comum, o aperfeiçoamento da democracia, o desenvolvimento do país, a justiça social, a solidariedade nacional.
É por isso que esta data, na qual evocamos o Centenário da República, não é apenas uma celebração e uma festa. É também, é sobretudo, um compromisso livre, responsável e patriótico: o nosso compromisso de cidadãos para com a República e o nosso compromisso de portugueses para com Portugal.
Esse compromisso não é abstracto ou retórico. Tem de ser integral e quotidiano. Como disse Antero de Quental, um compromisso que não seja «o direito abstracto e filosófico proclamado com paixão aos ventos do vago céu da história». Mas que seja, isso sim, um compromisso «prático e palpável, realizando-se palmo a palmo, visivelmente, experimentalmente, na sociedade de cada dia, na vida de cada hora, no indivíduo como na colectividade, encarnando nos factos e movendo-se como a realidade mais palpitante».
Um compromisso que hoje livremente renovamos. Um compromisso republicano de participação, impulso, convicção. Um compromisso de realização do presente e de criação de futuro. Um compromisso que tem um nome - Pátria, a casa comum da nossa cidadania, do nosso destino e do nosso amor a Portugal.
Viva a República,
Viva Portugal.
Senhor Presidente da Assembleia da República,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Lisboa,
Senhor Presidente da Câmara Municipal de Paris,
Senhor Presidente da Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República,
Distintos Convidados,
Cidadãos,
A melhor forma de comemorarmos, a República e o seu Centenário é renovarmos, aqui, hoje, a nossa confiança em Portugal e a nossa confiança nas capacidades dos portugueses.
A implantação da República constituiu um desses momentos de afirmação patriótica do país, de abertura à modernidade, de renovação da esperança e de encontro com o futuro.
Essa afirmação patriótica fez-se contra a ideia de uma decadência irreversível e inelutável; a abertura à modernidade impôs-se contra a condenação fatalista a um atraso inultrapassável; a renovação da esperança realizou-se contra o derrotismo pessimista e paralisante; o encontro com o futuro operou-se contra o passadismo atávico, resignado e entorpecedor.
A República foi feita em nome de uma ideia nova, ousada, generosa e prospectiva para Portugal. Foi feita com coragem, acção, risco, audácia e perseverança. Foi feita por cidadãos honrados, conscientes e responsáveis, que queriam o melhor para a sua Pátria e o melhor para o seu Povo.
Essa é a lição mais actual, útil e fecunda que a República nos traz. Essa lição representa também um exemplo moral que tem de estar vivo e presente. Neste dia de celebração republicana, devemos, por isso, reafirmar a nossa vontade de servir Portugal e os portugueses, renovando os valores essenciais da República, aprofundados pela democracia nascida no 25 de Abril e consagrados na nossa Constituição.
A comemoração de um grande acontecimento histórico dá-nos a perspectiva do tempo. A nossa história de Estado-Nação, com nove séculos de existência e com uma projecção ímpar no mundo, ensina-nos que, nos momentos cruciais, perante os obstáculos, as ameaças, os perigos e os desafios, soubemos sempre encontrar um caminho e uma saída. A verdade é esta: a vontade foi sempre o melhor aliado da nossa história como Nação.
A implantação da República constituiu uma mudança fundamental na nossa História e, qualquer que seja o balanço que se faça desse tempo histórico, das suas circunstâncias e vicissitudes, representou evolução, progresso e avanço. Estas comemorações estão a ser uma oportunidade ímpar para repor a verdade histórica sobre a República, os seus ideais e os seus erros. Mas também sobre as suas conquistas e o seu legado.
No seu pioneirismo e generosidade, os republicanos portugueses inspiraram-se sempre nos valores da liberdade, da igualdade e da fraternidade. Nesses valores humanistas está presente o melhor da herança filosófica, cultural e política dos europeus.
Os princípios fundadores da República exaltam o respeito pela dignidade humana, a garantia «dos direitos naturais, inalienáveis e sagrados do homem», os valores da cidadania, o primado da lei e do interesse geral, os imperativos da solidariedade e da justiça, a crença no progresso e na aptidão humana de transformar o mundo para melhor. Esses princípios constituem, afinal, os fundamentos éticos, políticos e jurídicos sobre os quais se construiu a civilização dos direitos humanos e estão no centro da Carta das Nações Unidas.
Historicamente, a República representou um avanço na grande tradição da liberdade. Representou a abertura aos valores mais progressistas: a ideia de que a soberania legítima reside no povo e só ele a pode exercer, delegando-a nos seus representantes; a afirmação da liberdade política e da igualdade de direitos, de condições e de oportunidades; a laicidade do Estado e a liberdade religiosa; a tolerância e o respeito pelas diferenças; a cidadania como pilar central da organização política e social.
Esse é o imenso legado da República, constituindo um código de valores éticos e de princípios políticos irrenunciáveis. Nesse legado nos reconhecemos e dele nos consideramos herdeiros. Tal legado exige de nós, mulheres e homens do século XXI, uma atenção aos novos desafios, uma antecipação às novas realidades e uma resposta às novas perguntas. Porque uma herança só se defende se a soubermos actualizar, tornando-a dinâmica e mobilizadora para os dias de hoje.
Um dos temas da República sempre foi, e continua a ser, a educação. Educação na base da cidadania, da realização individual, do progresso económico. Aqui, a República deixou uma marca: no ensino primário e nos 4 anos de escolaridade obrigatória e gratuita para todos; no ensino profissional; na criação do ensino infantil facultativo; na criação da Universidade de Lisboa e da Universidade do Porto.
Hoje mesmo, no centenário da República inauguramos 100 novas escolas públicas e um centro dedicado à investigação e à ciência. Esta é, sem dúvida, a melhor homenagem que podemos prestar à República: a escola como símbolo de cidadania, de responsabilidade individual, de progresso e de liberdade. A escola como símbolo que honra o passado e que nos projecta para o futuro.
Senhor Presidente da República,
Senhoras e Senhores,
Portugal não nasceu, há cem anos, com a República. Mas a Revolução de 1910 constituiu um acontecimento capital da nossa História moderna. Foi com a implantação da República que começou o século XX português. E essa implantação determinou a nossa história política destes cem anos.
Foi na I República que houve, nos domínios político, económico, social e cultural, transformações decisivas e cheias de consequências. Foi contra a República que sofremos uma ditadura de cinquenta anos, arcaica, tradicionalista, confessional, anti-democrática, anti-moderna, anti-progressista e anti-igualitária. A verdade é que, durante a ditadura, comemorar a República era já escolher o campo da oposição. Foi na tradição renovadora e progressista da República que a nossa democracia se fundou em 25 de Abril, procurando depois desenvolver e levar mais longe os seus acertos e realizações, tentando evitar os seus erros e vulnerabilidades.
Caros Compatriotas,
Comemoramos os cem anos da República num tempo cheio de incertezas e de desafios. Uma crise mundial, que está ainda longe de ser inteiramente superada, pôs em causa a estabilidade, a segurança e a confiança das pessoas. Mas é nestes momentos cruciais que os povos afirmam as suas qualidades de trabalho, de resistência, de vontade e de coragem. É nestas horas que os políticos provam o seu sentido de responsabilidade e as suas convicções, a sua determinação e a sua lucidez, que os deve levar a compreender o que está em causa, sabendo que, nesta emergência, o que está em causa é o essencial do nosso modelo de sociedade.
Para Portugal, o tempo também é duro e exigente. Temos que o enfrentar com um grande sentido de coesão nacional e de solidariedade, com uma noção de responsabilidade e de exigência, mas também com confiança nas nossas capacidades e talentos.
Nestas alturas, é fácil recorrer-se ao negativismo exacerbado, ao protesto inconsequente, à reivindicação irrealista, à agitação irresponsável e demagógica. Isso é sempre o mais fácil. O mais difícil é conseguir fazer o que há a fazer, preservando o fundamental: a República e os seus valores, a Democracia e o seu bom funcionamento, o Estado e as suas responsabilidades, a Sociedade e os seus equilíbrios, o País e a sua coesão.
Celebramos hoje a República, festejando Portugal. Este patriotismo republicano incita-nos à convergência de vontades e ao trabalho persistente, únicos garantes de esperança.
Nestes dias em que nos é pedido um esforço maior, precisamos de estimar mais as virtudes cívicas e de praticar melhor os valores republicanos. As virtudes da cidadania, da coragem, da honradez, da dedicação. Esses valores são a defesa do bem comum, o aperfeiçoamento da democracia, o desenvolvimento do país, a justiça social, a solidariedade nacional.
É por isso que esta data, na qual evocamos o Centenário da República, não é apenas uma celebração e uma festa. É também, é sobretudo, um compromisso livre, responsável e patriótico: o nosso compromisso de cidadãos para com a República e o nosso compromisso de portugueses para com Portugal.
Esse compromisso não é abstracto ou retórico. Tem de ser integral e quotidiano. Como disse Antero de Quental, um compromisso que não seja «o direito abstracto e filosófico proclamado com paixão aos ventos do vago céu da história». Mas que seja, isso sim, um compromisso «prático e palpável, realizando-se palmo a palmo, visivelmente, experimentalmente, na sociedade de cada dia, na vida de cada hora, no indivíduo como na colectividade, encarnando nos factos e movendo-se como a realidade mais palpitante».
Um compromisso que hoje livremente renovamos. Um compromisso republicano de participação, impulso, convicção. Um compromisso de realização do presente e de criação de futuro. Um compromisso que tem um nome - Pátria, a casa comum da nossa cidadania, do nosso destino e do nosso amor a Portugal.
Viva a República,
Viva Portugal.
Fonte: Governo de Portugal
Sem comentários:
Enviar um comentário