quinta-feira, 7 de outubro de 2010

134 Anos: Jardim no fundo tem orgulho no DIÁRIO


Em pleno PREC, Paquete de Oliveira foi director do DIÁRIO. Um jornal que elogia e que até acredita que seja motivo de orgulho para Jardim

"Foram os nove meses mais loucos da minha vida". As palavras são de Paquete de Oliveira, que foi director do DIÁRIO de Notícias entre 1974 e 1975. Eram os meses atribulados do PREC e a missão não foi fácil.

Já então o DIÁRIO era conotado com a esquerda mais radical, naquela que considera ser uma leitura errada de uma independência pela qual se pautou, desde sempre, este jornal.

Paquete de Oliveira diz que, não obstante as divergências, até acredita que o presidente do Governo Regional tenha orgulho em ter, na sua Região, um jornal com a qualidade do DIÁRIO de Notícias.

Um período quente
Quando ocupou o cargo de director decorria o mês de Maio de 1974, numa altura em que o DIÁRIO tinha já um nome na Região e saía de um período recente de renovação que teve como principais responsáveis Helena Marques, hoje escritora, e Rui Camacho, que imprimiram ao jornal uma imagem mais moderna.
Difícil é a palavra mais usada por Paquete de Oliveira para definir aqueles nove meses em que esteve na direcção editorial.

O contexto nacional era marcado pelo PREC (Período Revolucionário em Curso) numa agitação constante e ao mesmo tempo difícil de acompanhar. "Quem estava num jornal regional nem conseguia ter o discernimento completo do que estava a acontecer".

De qualquer forma, recorda que a preocupação dos empresários responsáveis pelo DIÁRIO foi mudar a face do jornal e sobretudo procurar uma integração nos novos tempos. O jornal adoptou, assim, "uma linha editorial bastante independente e coerente, mas que no contexto regional foi logo relacionada com a esquerda".

Isto porque o DIÁRIO, "ao contrário do concorrente, que na altura já era o Jornal da Madeira, transmitia nas suas páginas quase todos os comunicados dos movimentos mais de esquerda que acompanhavam o processo que se seguiu ao 25 de Abril e publicava ainda os comunicados dos sindicatos da Hotelaria e da Construção Civil, que eram os mais activos".

Rapidamente, dado os quadros de referência da Região, "o DIÁRIO foi tido como um jornal bastante à esquerda".

Uma leitura da qual Paquete de Oliveira discorda, porque o jornal não era de esquerda, mas apenas fazia eco de todos os movimentos, numa linha que sempre se pautou pela independência.

"Foi um período difícil, mas ao mesmo tempo entusiasmante. Sobretudo guardo excelentes recordações do corpo redactorial que trabalhava nessa altura, e cito nomes como o de Armindo Abreu e Tolentino Nóbrega. Destaco também a equipa da tipografia, com quem podíamos contar para o jornal sair a horas e ser um matutino bem citado ao nível nacional".

Hoje, Paquete de Oliveira continua a acompanhar e a ler o DIÁRIO, não só para se manter informado sobre o que se passa na Madeira, mas também por razões afectivas. "Gosto sempre de ver o jornal por onde andei e onde vivi dias bastante significativos. Foram os nove meses mais loucos da minha vida. Até pela trepidação em que os vivi, porque, além de director, era membro da Junta de Planeamento".

Sociólogo de formação, não se surpreende com o facto do DIÁRIO continuar a ser conotado com a esquerda.

"Não me surpreende, embora essa não seja a minha opinião. O jornal, na velha escola tradicional inglesa, sempre primou por linhas editoriais onde se procura um estatuto independente e uma atitude crítica em relação à vida política quer nacional, quer regional. Portanto, o DIÁRIO de Notícias não pode ser confundido com um jornal da situação, nem com um jornal comprometido com a ideologia ou com o poder político dominante na Madeira, pelo que não admira que seja visto como uma força divergente".

Mas uma coisa é ser uma força independente, outra é ser de esquerda radical. Uma catalogação que diz não entender, nem achar correcta.

Um orgulho
Paquete de Oliveira é da opinião que o DIÁRIO é um jornal regional, bem feito e com prestígio, nomeadamente a nível tecnológico e com uma excelente página na Internet.

Não obstante todas as discordâncias, e até porque "quem conhece bem o presidente do Governo Regional da Madeira sabe que o discurso político pode não ser acompanhado pelos sentimentos interiores", acredita que, "muitas vezes, o presidente do Governo Regional é capaz de sentir um certo orgulho por ter um dos jornais regionais mais bem feitos e de maior referência ao nível nacional".

134 anos com muito significado
Paquete de Oliveira diz que 134 ano na vida de num jornal regional têm um imenso significado, principalmente se tivermos em linha de conta o panorama actual da imprensa escrita, no plano internacional e nacional.

"Saber manter um jornal regional com 134 anos e com a apresentação, com a qualidade e até com a tiragem que tem, é muito significativo".

Recordando que as tiragens são sempre proporcionais à dimensão populacional, diz não ter dúvidas de que o DIÁRIO é um jornal que está no topo dos jornais regionais.

E se o mapa das tiragens fosse divulgado, "talvez se chegasse à conclusão de que é um jornal regional com melhores tiragens do que um ou outro jornal nacional".
Entende que este factor, por si só, deve entusiasmar aqueles que trabalham no DIÁRIO e entusiasmar os seus empresários a continuar com o projecto.

Um dos factos que Paquete de Oliveira não quis comentar foram as questões da concorrência.

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