segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Marítimo perdeu mais de um terço dos espectadores e 30% das receitas numa época com prejuízo de 1,8 milhões e onde passivo atingiu os 5,7 milhões





São indicadores que devem fazer pensar os responsáveis. Nos últimos três anos o Marítimo perdeu quase 23 mil espectadores, mais de mil e duzentos por cada um dos jogos que disputou no seu estádio.

Embora as receitas de bilheteira não tenham peso significativo nos proveitos dos clubes de futebol, é a paixão dos aficcionados que justifica os contratos televisivos e estimula a venda do merchadising ou de outras iniciativas que no caso do Marítimo representam pouco.

De acordo com a análise da conta de 2008 - que vai de Agosto a Julho 2009 - a sociedade anónima desportiva que integra o futebol profissional do clube perdeu 3,4 milhões de euros de proveitos em relação à época anterior, embora tenha registado uma subida de 1,3 milhões de euros em relação à temporada 2006/2007.


Para esta quebra contribui os resultados extraordinários, como seja a venda de jogadores. Porque Carlos Pereira tinha inscrito 5,5 milhões na temporada 2007/08, quando o ano passado a mesma rubrica representou apenas 1,4 milhões de euros.

Quanto aos proveitos suplementares, estes até subiram 25,3%, tendo atingido os 3,6 milhões de euros, enquanto os subsídios voltaram a baixar 4,2%, depois de um ano antes terem decrescido 9,3%.

Embora nos dois últimos anos o governo tenha cortado 13% no valor do apoio ao futebol profissional, a verdade é que as transferências do Orçamento da Região permitem pagar mais de metade (54,5%) dos ordenados e outros encargos com os profissionais.

Neste particular, o Marítimo viu subir a sua folha salarial 29,3%, tendo gasto na época iniciada em 2008 mais 1,1 milhões que dois anos antes, embora tenha reduzido em 483 mil euros os gastos com os ordenados em relação à temporada de 2007/2008.

Curioso é registar que Carlos Pereira mantém a fórmula que vem sendo litigada em tribunal, ou seja nos encargos com o pessoal 2,6 milhões de euros são pagos a título de direitos de imagem, pelo que sobre este valor a tributação não é a mesma.

Digno de registo são os 252 mil euros pagos de comissões e os 493 mil euros de honorários, verbas muito significativas.
A conta do sociedade que o Marítimo e a Região constituíram tem vindo a ser condicionada pelos valores que a sua administração se vê obrigada a provisionar. Quer na decorrência de processos judiciais e fiscais em curso, como e sobretudo na sequência da dívida de terceiros, cuja cobrança duvidosa já atinge 264 mil euros.


A dívida de terceiros tem um valor alto, embora 23,8% inferior a um ano antes. Só os clientes - os que adquirem jogadores e serviços, como o espectáculo desportivo - devem 2,1 milhões de euros, um valor ainda assim inferior a 1,7 milhões de euros ao exercício anterior.

Sendo o novo clube português com maior passivo, o Marítimo SAD tinha 5,7 milhões de euros de dívidas ou provisionamentos feitos. Com destaque para os 2,7 milhões de euros que a sociedade contesta à administração fiscal, que na sequência das acções de fiscalização realizadas a quatro exercícios económicos decidiu cobrar adicionalmente, 803.690 euros de IRC, 1,1 milhões de euros IRS e 251.088 euros de IVA.

Por outro lado, em 30 de Junho de 2009 existiam dívidas em mora ao Estado, que transitaram do Club Sport Marítimo , no montante global de 839.135 euros.


Ou seja, o Marítimo SAD devia directamente 1,1 milhões de euros ao Estado e entes públicos, a que acresce os 2,7 milhões de euros que está a litigar com a administração fiscal. Também os fornecedores têm a receber um milhão de euros, 69% do qual (751 mil euros) a empresas e outros que prestam ou fornecem serviços à sociedade.

Curioso é o facto da SAD não ter inscrito um cêntimo de dívidas a bancos, embora tenha suportado 171 mil euros de juros.
Feito o balanço, o Marítimo da Madeira Futebol SAD fechou o ano 2008 com um prejuízo de 1,8 milhões de euros, perdendo mais de 2,6 milhões em relação ao exercício anterior, tendo inscrito como resultado transitado um prejuízo de 1,1 milhões de euros.

Futebolistas foram avaliados em 3,5 milhões mais 14,6% que em 2007

São as regras que determinam, por seu turno, os rácios e indicadores económicos. O activo bruto do Marítimo SAD estava avaliado em 10,3 milhões de euros, contribuindo para este sobretudo, o valor dos direitos dos futebolistas.

Assim, no activo da sociedade reflecte o custo de aquisição dos futebolistas, com excepção do valor dos direitos desportivos do plantel na data de constituição da SAD, o qual resultou da avaliação efectuada relativamente a alguns atletas transferidos do Club Sport Marítimo para a sociedade desportiva, tendo em conta a legislação em vigor, aplicável nas circunstâncias.

Quer isto dizer que o plantel do Marítimo que disputou a época 2008/2009 valia 3,5 milhões de euros, mais meio milhão que o anterior e um milhão de euros mais que a equipa que iniciou a temporada de 2006.

Não tendo sido possível ao DIÁRIO beneficiar de qualquer informação adicional solicitada à administração da SAD, acredita-se que as receitas do espectáculo possam representar nem 2% dos proveitos, com a particularidade de ter sido o Orçamento Regional a principal fonte de receita, seguida dos direitos desportivos - venda de jogadores - e televisivos, que nalguns casos significam 10% a 15% das receitas totais.

Se os três grandes grandes clubes portugueses ganham anualmente entre 8 e 9 milhões de euros cada em direitos TV, no caso do Marítimo esse valor não deve atingir um milhão de euros.

Nota curiosa para o facto do número de espectadores nos jogos do Marítimo estar em queda. Na última temporada completa (2009/2010) foram menos 37,5% em relação a 2007, tendo em 2008/2009 registado um quebra de 11,6%, ou seja menos 10 mil que no início do ciclo em análise.

Fonte: DN- Madeira

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