
Por Sofia Rainho
Pedro Santana Lopes defendia a realização da eleição directa do líder do partido durante o congresso. E viu a sua proposta ser rejeitada pelos congressistas. Mas conseguiu fazer aprovar a alteração que prevê que os militantes do PSD que ataquem o líder ou o partido nos 60 dias anteriores a actos eleitorais sejam suspensos ou expulsos
A principal proposta de Santana Lopes, que visava a realização da eleição directa do presidente do PSD enquanto decorresse o Congresso foi hoje chumbada pelos delegados sociais-democratas.
O ex-líder do PSD pretendia que, de futuro, o congresso pudesse ser interrompido para que os militantes elegessem por sufrágio directo e universal o seu presidente, mas esta alteração não teve os votos necessários para vingar. Para ser aprovada a proposta exigia uma maioria qualificada, 3/5 dos votos, mas teve apenas 244 a favor, 241 contra e 92 abstenções.
Mas nem tudo ficou perdido para Santana Lopes. O ex-líder do PSD conseguiu ver aprovada a norma que prevê que os militantes que falem contra o partido ou contra o seu presidente no período de sessenta dias que antecedem a realização de actos eleitorais sejam suspensos ou expulsos - com 352 votos a favor, 76 contra e 102 abstenções.
Antes de dar início à votação das propostas de alterações estatutárias, Rui Machete verificou a existência de quórum: 613 dos 960 delegados eleitos para o congresso estavam presentes na sala.
Passos, Rangel e Aguiar-Branco contra 'lei da rolha'
Os três candidatos à liderança do PSD foram unânimes nas críticas à aprovação desta norma. Passos Coelho foi o mais contudente, antecipando que será mesmo subscritor de uma proposta que revogueesta alteração hoje aprovada e que já é referida como ‘lei da rolha’ para os militantes. «Serei seguramente subscritor de uma proposta que vise não penalizar os militantes por delito de opinião», avisou, manifestando até dúvida de que esta medida «seja constitucional».
«Preferia que o PSD não tivesse aprovado esta disposição e espero que no futuro o congresso a possa alterar», reforçou o ex-líder da JSD.
«Preferia que o PSD não tivesse aprovado esta disposição e espero que no futuro o congresso a possa alterar», reforçou o ex-líder da JSD.
Paulo Rangel, que não pôde votar a proposta uma vez que estava ali como participante e não como delegado eleito, adiantou no entanto que «nunca proporia uma medida destas nem tão pouco votaria a favor».
Aguiar-Branco foi dos três o que se revelou mais tolerante para com a decisão dos congressistas. O líder parlamentar manifestou a sua discordância mas salvaguardou que esta «foi a vontade soberana do congresso e que é uma ideia para garantir maior coesão e maior respeito pelas decisões da direcção». «Não vale a pena fazer um caso disto», desdramatizou.
sofia.rainho@sol.pt
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Fonte: SOL
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