
O restabelecimento da relação institucional entre os Governos central e regional, uma onda de solidariedade sem precedentes e a capacidade de reconstrução dos madeirenses são as marcas do temporal que assolou a Madeira há um mês.
A ilha viveu precisamente há 28 dias, também num sábado, um dos piores momentos da sua história ao ser assolada por uma intempérie que provocou 43 mortos, oito desaparecidos, 120 feridos, 600 desalojados e avultados danos materiais.
No dia 20 de Fevereiro, a meio da manhã, depois de uma noite chuvosa, a população foi surpreendida por fortes correntes de lama que inundaram o Funchal, arrastando pedras de grandes dimensões e entulhos que causaram o caos na capital madeirense.
Esta situação estendeu-se a outras localidades da ilha, sobretudo na zona oeste, nos concelhos da Ribeira Brava e Ponta do Sol.
As fortes torrentes das ribeiras arrastaram tudo o que encontraram pelo caminho, pessoas, carros, casas, estradas, pontes, postos de comunicações e de electricidade e terrenos agrícolas, deixando um vasto rasto de destruição.
O Funchal ficou intransitável, as redes de comunicações entraram em colapso e a via rápida foi encerrada.
Começaram a surgir as notícias e imagens que davam conta que a Madeira estava a sofrer uma grande catástrofe natural e o clima de desespero para contactar os parentes e amigos através dos telemóveis que não funcionavam, instalou-se.
Derrocadas, populações isoladas, desabamento de casas, viaturas e pessoas arrastadas pelas enxurradas, parques de estacionamento inundados, centenas de desalojados colocados em centros de acolhimento foram informações que passaram a ocupar os noticiários.
Numa demonstração de solidariedade para com os madeirenses, nesse dia, o primeiro-ministro deslocou-se à Madeira para observar os estragos e anunciar as primeiras medidas de apoio, marcando uma nova era no relacionamento entre José Sócrates e Alberto João Jardim.
O presidente do Governo madeirense disse que precisava dos "machados e enxadas para reconstruir a ilha" e Sócrates garantiu total solidariedade do Estado à região.
Seguiram-se as visitas do Presidente da República, Cavaco Silva, de vários ministros, do comissário europeu para o Desenvolvimento Regional e do presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.
Depois do primeiro impacto, a reconstrução passou a ser palavra de ordem, uma tarefa que envolveu toda a comunidade para restabelecer a normalidade, incluindo o Exército que transportou para a Madeira uma ponte para acabar com o isolamento da Fajã da Ribeira, na Ribeira Brava, que tem sido reconhecida por todos os que visitam a ilha.
Três dias depois, alguns comerciantes reabriram os seus negócios e medidas de apoio começaram a ser anunciadas, incluindo a formação de uma comissão paritária Governo da República e Regional que já está a trabalhar no terreno para determinar os investimentos necessários para o restabelecimento da vida.
Algumas obras que decorrem no centro do Funchal, Ponta do Sol e Ribeira são a recordação desse dia fatídico que permanecerá, sobretudo para aqueles que perderam alguém no temporal.
Fonte:http://www.lusa.pt/
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