
O CDS tinha uma boa lista. Nuno Melo brilhou no inquérito ao caso BPN, Teresa Caeiro e Diogo Feio são políticos experientes e competentes. Mas Portas apareceu a todo o tempo. Quis fazer de muleta dos seus candidatos mas, ao contrário, encolheu-os e nunca os deixou crescer. As imagens eram de Portas, as prédicas eleitorais eram de Portas e Portas estava nos cartazes e nas feiras.
Na verdade, o CDS já não é bem um partido – parece-se mais com um culto pessoal à volta de Paulo Portas. O grande problema dessa liturgia é que o seu objecto está em irremediável decadência. Portas regressou mal e antes do tempo. Voltou igual, apenas mais gasto e redundante. Transformou o CDS num partido de um homem só cuja mensagem exclusiva é o seu líder. O paradoxo é que, por culpa própria, Portas se tornou na personagem mais estafada e aborrecida da política portuguesa.
O espaço vital do CDS subsiste à custa da variação de conjuntura do vizinho ‘grande’ do lado, o PSD. Este raramente esteve tão mal como nestes anos socráticos, mas o CDS nunca conseguiu aproveitar essa letargia. Não soube ser alternativa. Não faz diferença em área nenhuma. A sua competição eleitoral parece reduzir--se a uma obstinação patética em vencer as sondagens: o CDS julga vencer só porque não perdeu tanto como se previa.
Mas os resultados de ontem não podem deixar ninguém feliz no CDS: quando não há estratégia para além da mera sobrevivência, todos os esforços visam apenas adiar o fim. O próximo desafio será nas Legislativas.
Com a devida vénia Correio da Manhã
Sem comentários:
Enviar um comentário