
O presidente do Partido
Socialista da Madeira disse,
em entrevista ao Diário
Cidade, que a proposta de
Revisão Constitucional de
Alberto João Jardim não
passa de uma estratégia
eleitoral para as próximas
eleições legislativas e
regionais.
João Carlos Gouveia referiu,
ainda, que “a atenção do
Representante da República
está apenas concentrada
nos conflitos permanentes
desencadeados pelo
presidente do governo
regional e pelo PSD/M”,
situação que faz com que
Monteiro Diniz “esqueça
a restante sociedade
madeirense e os partidos da
oposição”.
O líder do PS/M diz também
que as eleições autárquicas
de 2009 constituem “uma
antecâmara” da disputa
eleitoral de 2011, ano em
que os socialistas aspiram
conquistar o governo
regional.
Diário Cidade (DC) – O que
pensa da proposta de Revisão
Constitucional defendida por
Alberto João Jardim?
João Carlos Gouveia (JCG) – A
proposta de Revisão Constitucional
do presidente do PSD Madeira é,
no meu entender, uma estratégia
eleitoral para as próximas eleições
legislativas e regionais. É uma
estratégia que tem por objectivo
‘intoxicar’ a opinião pública e visa
desviar as atenções dos madeirenses
face aos péssimos resultados da
governação social democrata ao
longo destes 30 anos, porque o
presidente do governo regional é o
primeiro responsável pela tragédia
social e económica presente... o
estado de vida de milhares de
madeirenses é fruto da sua má
governação.
No que toca à Revisão Constitucional,
o PS/M não confunde autonomia
com separatismo e independência.
Queremos que a autonomia chegue
a casa de todos os madeirenses, pois
até agora não tem chegado. Tem
ficado por aqueles que dominam e
controlam o PSD regional.
DC – Acredita mesmo que Alberto
João Jardim abandone o poder em
2011?
JCG – Não acredito e a prova
disso está na proposta de Revisão
Constitucional. Jardim mantém
os mesmos tiques totalitários
e separatistas de há 30 anos, os
tiques que transformaram o regime
autonómico num regime de partido
único, em confronto permanente
com os órgãos de soberania e
com os seus respectivos titulares.
Portanto, quem tem essa atitude
não abandona o poder, pois o poder
para ele é absoluto... o poder para
ele é ele próprio. Do ponto de vista
político o presidente do governo não
é democrata.
DC – Na sua opinião, a figura do
Representante da República deve
ser extinta?
JCG – O PS/M concorda com a
extinção, mas de uma maneira
diferente do PSD/M, o qual vê
a extinção do Representante da
República como uma fórmula
de assegurar o regime de partido
único na Região com uma marca
separatista.
Nós socialistas entendemos que o
Representante da República - dado
que ao longo destes 30 anos foram
esvaziadas as suas funções e os os
seus poderes - hoje representa muito
mais a Região no espaço nacional do
que o contrário. Porque se a figura
do Representante da República foi
concebida como uma ‘almofada’
para evitar os conflitos é natural que
a grande atenção de Monteiro Diniz
esteja concentrada nos conflitos
permanentes desencadeados pelo
presidente do governo regional. Esta
situação levou a que o Representante
da República esteja hoje apenas
concentrado no PSD/M e esqueça a
restante sociedade madeirense e os
partidos da oposição, sem que haja
nenhum enquadramento entre o
plano regional e o plano nacional.
O PS/M quer precisamente o
contrário. Os madeirenses votam
para a Assembleia da República,
votam para o presidente da
República e não podemos aceitar que
haja uma espécie de regionalização
dos órgãos de soberania. O que nós queremos é que o presidente da
República e o primeiro-ministro exerçam
as suas funções na RAM, no sentido de se
garantir o progresso social e económico,
a democracia e a liberdade, o estado
de direito e a qualidade de vida dos
cidadãos.
DC – O que espera do novo ano
parlamentar que agora se vai iniciar?
JCG – Esperamos uma grande
participação e uma grande actividade do
PS/M há semelhança do ano anterior, no
qual fizemos a fiscalização do governo,
denunciamos aquilo que tinha de ser
denunciado e apresentamos propostas
diferenciadoras em função do modelo de
desenvolvimento económico. Portanto,
nós vamos enveredar novamente por esse
caminho.
DC – Qual é a relação do PS/M com as
outras forças partidárias da Região?
JCG – São apenas relações institucionais,
porque no contexto actual os partido da
oposição fazem do PS o seu principal
adversário. O que nós queremos é
governar a Madeira, pois entendemos
que só um governo socialista é capaz de
inverter a situação actual, uma vez que
os madeirenses precisam de um governo
que os trate com dignidade.
Assim, como existe um poder hegemónico
na RAM é natural que haja uma
competição no plano da oposição. Nós
preferimos aceitar essa competição do que
fingir que é uma convergência, porque,
no fundo, o trabalho e o estado político
que o PS procura conseguir em relação ao
poder político regional é depois cobiçado
pelos partidos da oposição.
Nós não queremos ser o melhor partido
da oposição, nós não queremos ser uma
boa oposição, nós queremos é governar
bem a RAM.
DC - João Isidoro afirmou na Festa
Popular do MPT, realizada no passado
dia 10 de Agosto no Chão dos Louros,
que o partido pretendia ser a segunda
maior força política na Região. O que
tem a disser sobre isso?
JCG – Com o devido respeito não vou
fazer comentários às posições dos outros
partidos.
DC – O PSD nacional nos últimos tempos
tem demonstrado um certo conflito no
interior do partido. Até que ponto o PS
pode beneficiar desta situação?
JCG – Os portugueses já perceberam
que no plano nacional o PS revalidará
a sua maioria absoluta. Porém, os
socialistas madeirenses têm no topo
da sua prioridade chegar ao poder na
RAM o mais rápido possível. E essa
responsabilidade pertence ao PS/M e
pertence aos madeirenses, os quais são
capazes de constituir uma alternativa
democrática na RAM.
DC – No próximo ano vão se realizar
eleições autárquicas. Quantas câmaras o
PS/M ambiciona conquistar?
JCG - O PS/M terá os votos que sejam
merecidos pelo eleitorado e nós vamos
trabalhar no sentido de termos um
maior número de votos do eleitorado
madeirense. Há um poder de estado que
domina toda a sociedade, mas isso não
será uma causa para nós desistirmos de
combater. Há condições para ganharmos
câmaras. Há câmaras e há concelhos onde
nós temos vindo ambientando o partido
para fazê-lo crescer.
DC – Quais são os concelhos e as câmaras
que estão nas vossas perspectivas?
JCG – Por questões tácticas e por questões
de estratégia eleitoral não vou revelar,
mas nós vamos incidir nas próximas
eleições autárquicas em determinados
concelhos para os disputar e ganhar. Nós
pretendemos fazer crescer o patamar do
PS/M face ao desastre de 6 de Maio de
2007, isto é reafirmar a confiança com os
madeirenses para, em 2011, disputarmos
as eleições ‘taco a taco’ com o PSD/M para
o governo regional. O nosso objectivo
é chegarmos ao governo regional e
queremos fazer das eleições autárquicas
uma antecâmara da disputa eleitoral de
2011.
Fonte: Diário Cidade, 12 de Setembro de 2008
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