
O funeral realiza-se no próximo Domingo, 24 de Agosto, às 13h30 na Igreja Paroquial da Camacha seguida de procissão para o cemitério da Camacha. Preside o Sr. Bispo D. António Carrilho.
Política Pura e Dura


| A criança que foi picada por um enxame de vespas no início de Agosto e acabou por morrer na segunda-feira passada foi ontem a enterrar no cemitério de São Martinho, no Funchal, numa cerimónia que reuniu mais de uma centena de pessoas. Conhecidos, amigos, familiares e simples anónimos despediram-se de Luís Miguel Sousa cumprindo a vontade da mãe, Ana Teresa Sousa, que na véspera tinha pedido a quem fosse ao funeral, para não usar luto, mas sim vestir cores azuis ou brancas. Quem morreu, disse ao DIÁRIO, não foi uma pessoa, foi um anjo. O caso chocou a sociedade madeirense, não só pela trágica morte de um menino de apenas oito anos mas também pelas grandes dificuldades financeiras da família, que não tem possibilidades para pagar as despesas do funeral. Por isso, várias pessoas decidiram ajudar Ana Teresa Sousa, não só no pagamento do funeral mas também atenuando a dor dos próximos tempos. Muitos já o fizeram, alguns anonimamente, outros pensando em iniciativas para angariar fundos, e quem pretender seguir estes exemplos pode fazê-lo directamente para a conta de Ana Teresa Sousa, cujo Número de Identificação Bancária (NIB) é: 0035 0395 00003175000 33. O Luís Miguel caiu a 1 de Agosto sobre um vespeiro, enquanto brincava nos arredores de casa, no Bairro das Romeiras, em Santo António. Hospitalizada de urgência nesse mesmo dia, a criança passou 15 dias internada nos Cuidados Intensivos, onde viria a morrer. Tinha mais quatro irmãos, duas raparigas que estão aos cuidados de uma instituição, e dois rapazes, todos com idades compreendidas entre os nove e os 14 anos. A mãe, que vive separada do marido, sobrevive, com dificuldades, de uma pensão de invalidez. Fonte: Diário de Noticias, 22 de Agosto de 2008 |




Ivan Dias (Mumbai, 14 de abril de 1936) é um cardeal indiano, prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos.
Foi ordenado sacerdote em 8 de dezembro de 1958. Eleito arcebispo titular de Rusubisir e nomeado pró-núncio em Gana, Togo e Benin, em 8 de maio de 1982. Ordenado bispo em 19 de junho de 1982, no Vaticano pelo Cardeal Agostino Casaroli, Secretário de Estado na época. Foi núncio apostólico na Coréia do Sul, em 20 de junho de 1987; núncio apostólico na Albânia, em 28 de outubro de 1991.
Foi Administrador apostólico da Administração Apostólica da Albânia do Sul, de 1992 a 1996 e depois transferido para a sé metropolitana de Bombaim em 8 de novembro de 1997. Em 21 de fevereiro de 2001 foi criado cardeal , com o título da Igreja do Espírito Santo na Ferratella.
No dia 20 de maio de 2006, Papa Bento XVI, o nomeou prefeito da Congregação para a Evangelização dos Povos. Também é Gran-Chanceller da Pontifícia Universidade Urbaniana.
Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ivan_Dias















Nunca tive ilusões sobre isto: a discussão sobre quais são os povos mais ou menos racistas é no mínimo um equívoco, e nos casos extremos tão preconceituosa como o racismo. Franceses e ingleses acusam-se mutuamente de racismo. No Brasil, crê-se que há muito racismo nos EUA, mas evita-se comparar a realidade dos negros em ambos os países. E Portugal, evidentemente, considera-se naturalmente não-racista: seremos talvez uma raça superior a quem falta o gene do preconceito?
Esta discussão pueril esquece duas coisas. A primeira, que o racismo pode andar na cultura e na sociedade, mas cabe ao indivíduo não ser racista. Não é coisa de povos; é responsabilidade de cada um. A segunda, que a coisa não é estática: uma comunidade profundamente racista pode deixar de sê-lo se indivíduos suficientes se forem levantando contra o racismo. Para que isso aconteça, ser não-racista é insuficiente; é mesmo preciso ser anti-racista. Também nunca tive ilusões sobre outra coisa: em Portugal, a comunidade que é vista com mais preconceito, há mais tempo e de forma mais consistente, é a dos ciganos. O preconceito anticigano agarra-se a tudo e pode fugir ao controlo. Uma sondagem no Expresso dá os ciganos como a comunidade mais detestada no país. No mesmo jornal, Miguel Sousa Tavares prega um sermão aos líderes da comunidade para que abandonem uma vida de crime e tráfico de droga. E claro: Paulo Portas logo veio sugerir que há um Portugal que trabalha para que os ciganos vivam do rendimento mínimo. Neste país onde os bancos “arredondaram” os empréstimos à habitação e meteram ao bolso uma média de cinco mil euros por família, os ciganos são ladrões. Neste país onde a Operação Furacão encontrou fraude empresarial de grande escala mas não chegará a lado nenhum, os ciganos é que são os dissimulados. Neste país onde Paulo Portas ainda não explicou quem é o famoso Jacinto Leite Capelo Rego que generosamente deu dinheiro ao seu partido (nem explicou o “caso sobreiros”, nem o “caso submarinos”, nem o “caso casino”), os ciganos é que são os malandros. Ainda se vai descobrir que os ciganos é que raptaram Maddie ou atrapalharam as brilhantes investigações policiais. Ainda se vai descobrir que, afinal, os ciganos estão por detrás do escândalo Casa Pia. Ainda se vai descobrir que são os ciganos quem monta as empresas manhosas onde os nossos jovens licenciados trabalham a recibos verdes. Ainda se vai descobrir que os ciganos é que estacionam os nossos carros em cima dos passeios. Mas, até lá, tenhamos sentido das proporções. Ou então chegaremos ao ponto a que agora chegou a Itália. Em Itália, todos os ciganos e apenas os ciganos (estrangeiros ou italianos, menores ou adultos, meros suspeitos ou completamente inocentes) estão a ser identificados compulsivamente pela polícia, algo que não acontecia na Europa Ocidental desde o nazismo. No outro dia, duas meninas ciganas morreram afogadas numa praia de Nápoles e os seus corpos estiveram ali expostos sem que isso incomodasse os banhistas. A Itália dá-se a este luxo: está agora obcecada com os ciganos, como se de repente os seus políticos fossem incorruptos, já não houvesse italianos mafiosos nem pilhas de lixo para apanhar nas ruas. Eu estou certo de que os italianos não são racistas; mas pelos vistos faltaram-lhes anti-
-racistas em número suficiente no momento certo.
Por Rui Tavares
Fonte: Publico, 5 de Agosto de 2008



EURONOTÍCIAS, 2 de Março de 2001
Bem-vindos das férias do Carnaval... embora as máscaras continuem à solta.
No século passado, bastava alguém dizer-se de Esquerda ou de Direita, progressista ou conservador, oposicionista ou situacionista, para se saber quais as suas opiniões sobre Religião, Estado, Educação, Guerra, Paz, e impostos.
A razão pela qual isso mudou tem vindo a ser indicada de muitas maneiras e há mais de vinte anos como sendo o fim da ideologia, o fim da história, e outros veredictos penúltimos.
Os veredictos intelectuais viraram clichés e foram repetidos por jornalistas radicais e copiados por políticos moderados. O fim da ideologia traria o termo de conflitos políticos graves nas sociedades pós-industriais; significaria a ausência de novos movimentos sociais, o aviso definitivo contra as perigosas utopias sobre as possibilidades humanas. Seria o triunfo da política de compromisso e diálogo e, no pior dos casos, traria reformas às pinguinhas, objectivos a curto prazo e manobras para as próximas eleições.
Assim foi o fim da história planeado como uma chumbada em todo o Ocidente pós-Guerra Fria. O resto do mundo, onde ainda há restos de história violenta, forneceria episódios excitantes para a televisão. O burguês empantufado e empanturrado ver-se-ia acometido pelo situacionismo da terceira via, a única ideologia política admitida.
A explicação mais rápida para o triunfo do situacionismo foi dada inevitavelmente por um professor, embora americano, ao afirmar que "a Direita ganhou a guerra económica, a Esquerda ganhou a guerra cultural e o Centro a guerra política." Impressiona, mas é uma meia- verdade. Parece verdade, mas é uma meia-mentira. As sociedade são construídas por pessoas e só depois por abstracções.
Basta olhar para quem pode ser anti-situacionista.
O primeiro anti-situacionista, chamemos-lhe Ricardo, teve todas as opiniões correctas de esquerda como adolescente dos anos 70. Foi a Vilar de Mouros, fumou erva, teve sexo livre, rock & pop, gostava de Che Guevara e do marxismo proletário. Em suma, estava mal informado. Ainda hoje desconfia absolutamente da autoridade, a Igreja, os ricos, a tradição, as grande empresas. Quando pronuncia "direita”, subentende “fascista”. É um delírio, mas defende o populismo, o “small is beutiful”, os toques identitários. A religião do Ricardo é uma combinação hiper-activa de ateísmo e misticismo ecológico. Defende uniões de facto e droga despenalizada por razões de coerência. Se aderisse a um grupo religioso chamar-lhe-ia “oportet haereses”. Alberto Caeiro é o único profeta que admite e Eduardo Prado Coelho o seu talmudista preferido: considera-o demasiado gordinho para rebelde, mas resume livros agnósticos semi-indispensáveis que ninguém mais teria paciência para ler.
O Henrique é um socialista muito moderado. Votou sempre PS - excepto para a Junta de Freguesia onde concorria “um tipo porreiro”. É dos que sabe que, em Portugal, é mais difícil ser senhor do que ser doutor. É útil, inteligente e sincero na sua devoção ao serviço público. Trabalhou no privado (com sucesso) e depois passou, por concurso, para a Administração Pública, conhecendo a pente fino as inconsistências entre políticas públicas e respectivos Livros Brancos. Detesta extremos de paixão pessoal ou ideologia. Quando muito, revolta-se contra o estilo filisteu de Alberto João e o estilo fariseu de Fernando Rosas: “agarrem-me senão rasgo as vestes”. Abstém-se nas novas questões sociais das uniões de facto e aborto; acha que são problemas a resolver em casa. O Henrique é um católico de trazer por casa, ou seja, acredita que Deus é um ser que deve ter algum sentido porque há pessoas estimáveis que acreditam.
A Paula gosta dos centros aritméticos. Talvez por causa do nome associam-na ao PP mas é mais nova e mais previsível; nunca deixa dúvidas a ninguém que é uma mulher e que vota no PSD. Toda a gente partilha as suas arremetidas e gracejos sobre socialistas. Já se deu bem em empresas de informática, onde parecia perpetuamente em estado de beatitude, mas agora passou para a Bolsa onde fará o negócio da sua vida. A magia dos números repercute-se no seu interesse pelas combinações eleitorais. Acha que encontrou o candidato certo para o lugar certo mas o interessado ainda não deu por isso, bloqueado como está por ambições na Europa. A Paula nunca falha uma missa de domingo mas jamais a apanhariam numa missa de semana. A religião deve ser como os números; conta, peso e medida.
O João, muito conservador, bombardeia as pessoas com estatísticas sobre crime violento, violação, pedofilia, drogas, e outras actividades similares das classes involuntariamente ociosas, como os aristocratas ingleses chamavam aos desempregados. Preocupa-se que a percentagem de casamentos que termina em suicídio conjugal se aproxime dos 40%. Sabe que estamos perante a primeira geração da história portuguesa em que a educação é para (quase) todos e o emprego certo para uma parcela. Desconfia muito do clero católico que considera infiltrado pela maçonaria e pela confusão do peixinho vermelho entre preocupações sociais e socialismo. O seu máximo de tolerância religiosa é ouvir o Rão Kyao. Mas apesar de considerar o mundo quase perdido, o João tem sentido de humor, compaixão genuína, e honestidade total em todas as nobres causas em que se empenha.
Aparentemente, a mão invisível que tutela a sociedade encarregou-se de repartir as virtudes políticas por todos estes anti-situacionistas. Não deu tudo a todos mas entregou-lhes uma dose suficiente de bom senso para que resistam às consignas da classe política que faz figura triste perante um eleitorado cada vez mais consciente dos benefícios...da abstenção.
Acorrentados, estes anti-situacionistas iriam cheirar-se como cães desconfiados e ladrar sinais de aviso. Mas conversados, começariam a ver que partilham opiniões que transcendem o “situacionismo: a cultura de massas, ao contrário da exploração económica ou do desrespeito pelos direitos, não é susceptível de correcção por meios políticos; a suspeita de que há Estado a mais e sociedade civil a menos tem de ser completada por uma paixão pelas causas cívicas; o interesse em preservar o ambiente, o património, o consumo, exige muitas espécies de comunitarismos; não vale a pena discriminar entre o Ocidente e o resto do mundo porque, como disse a Madre Teresa em Harvard, nunca se sabe bem quem são os pobres.
Acorrentados, os anti-situacionistas descobririam mais do que um jogo de preferências. Talvez encontrassem uma afinidade psicológica, e talvez mesmo espiritual, por debaixo das profundas diferenças políticas e filosóficas. Tornar-se-ia óbvio para os quatro a espécie de divisão espiritual entre “eles” e os situacionistas; a política começa pelas pessoas enfiadas na Centro, na Direita e na Esquerda, antes de continuar pelas respectivas abstracções.
BEM COMUM DA SEMANA
“As únicas boas notícias foram os anúncios”. Adaptado de Marshall McLuhan
MAL COMUM DA SEMANA
“Se o público quer m...., dê-se-lhe m....” Adaptado de Manuel Subtil, de Anónimo Americano, do Secretário de Estado da Comunicação Social, e dos Directores de Canais TV em Portugal.




![]() |
Um país, dois sistemas? | ||||||||||||||
| A realização periódica de eleições competitivas e a liberdade de expressão não garantem, por si, a existência de democracia. Sem aqueles dois requisitos fundamentais não há democracia, mas esta vai mais além, designadamente através de um estruturado processo de fiscalização dos poderes executivos e de práticas políticas norteadas por valores e princípios democráticos. Na Madeira, há eleições periódicas para os órgãos próprios da região e existe liberdade de expressão, embora a sua difusão esteja fortemente condicionada e limitada. Desde as primeiras eleições regionais que tem existido uma maioria absoluta de um só partido e esse mesmo partido, o PSD/Madeira, governa, actualmente, as 11 autarquias da região. Uma realidade com estas características exigiria ao partido ultramaioritário um comportamento político respeitador dos direitos da oposição e uma cultura de transparência, de modo a que os poderes executivos pudessem ser controlados e fiscalizados. Infelizmente a prática é bem diversa! O presidente do Governo regional raramente presta contas ao Parlamento; o mesmo acontece com os membros do Executivo quanto à apresentação das suas iniciativas legislativas ou a sua ida às comissões para responderem a perguntas dos deputados. Qualquer debate ou presença de um membro do Governo ou da administração regional tem que ser aprovado pela maioria do PSD/Madeira, o que dificilmente acontece. Os deputados do maior partido da oposição não podem requerer a criação de uma comissão de inquérito. Na prática, o Parlamento protege o Governo em vez de o fiscalizar e este não sente o dever de prestar contas. Recuámos 350 anos, aos tempos em que o príncipe era detentor de uma autoridade absoluta! Esta realidade, de Governo à solta e sem controlo, introduz um forte cariz autoritário no sistema político madeirense, dificulta a alternância democrática e viola princípios essências do Estado democrático. Confesso que tenho reduzidas expectativas quanto à alteração dos comportamentos políticos dos principais dirigentes do PSD/Madeira, em particular quando estes beneficiam de um certo silêncio e, nalguns casos, até do apoio expresso por parte de titulares de órgãos de soberania da República. Pelo que me interrogo se, à semelhança do que a Constituição já estabelece para a Assembleia da República e na linha de dignificação das assembleias legislativas regionais, não deverá ser definido (através de lei) um quadro mínimo de garantias e direitos potestativos para os deputados da oposição nos parlamentos das regiões autónomas, independentemente das maiorias que se apuram após cada eleição. Em democracia, o direito das minorias contribui fortemente para a limitação do poder das maiorias. Quando esses direitos não podem ser exercidos, dado que estão sempre dependentes da disponibilidade da maioria (como é o caso na Madeira), a democracia está amputada. | ||||||||||||||